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Site dedicado ao projecto de investigação

A Génese do Jornalismo: Jornais Periódicos do Século XVII em Portugal e na Europa


 
O primeiro anuário noticioso impresso em Portugal (1626).


 
O primeiro periódico noticioso impresso em Portugal (1641-1647)

 
O segundo periódico noticioso impresso em Portugal (1663-1667).


O primeiro grande homem da imprensa jornalística em Portugal: o secretário de Estado António de Sousa de Macedo, promotor, editor e redactor do Mercúrio Português entre 1663 e 1666.


O Projecto


O projecto "A Génese do Jornalismo: Jornais Periódicos do Século XVII em Portugal e na Europa" reúne um grupo de investigadores da Universidade Fernando Pessoa e de outras instituições de ensino superior, composto por doutores, doutorandos e mestres, em torno de um objectivo comum: resgatar para a memória colectiva os periódicos portugueses do século XVII, comparando-os com os principais periódicos europeus da mesma época, pois, em matéria de jornalismo, Portugal acompanhou o que se passava na Europa seiscentista. Provaram-no as pesquisas que, ao longo do tempo, se foram fazendo sobre o tema (Sousa et al., 2007; Cunha, 1941; Tengarrinha, 1989; Dias, 2006; Dias, 2010 e muitos outros).


Deve realçar-se que o século de seiscentos viu o jornalismo, enquanto periodismo, consolidar-se na Europa. E se bem que o jornalismo europeu continental vivesse sob o peso da censura e do licenciamento, foi nesse tempo que

, em Inglaterra, como consequência da aparição de jornais políticos doutrinários, alguns autores - entre os quais John Milton - começaram a defender a liberdade de imprensa, entendida como liberdade para imprimir. O século XVII é, portanto, uma época relevante para se estudar o jornalismo. 

O projecto "A Génese do Jornalismo: Jornais Periódicos do Século XVII em Portugal e na Europa" trata-se, assim, 

de uma iniciativa de que o grupo de investigadores que o protagoniza considera estar imbuído de interesse nacional e institucional e que conta, por isso, com o apoio financeiro da Fundação Fernando Pessoa/Universidade Fernando Pessoa e da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, através de fundos estruturais da União Europeia e de fundos nacionais do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Projecto PDTC/CCI-JOR/110038/2009).

O principal objectivo do projecto é concorrer para dar resposta às seguintes grandes questões:

1) Como surgiu a actividade de publicação de jornais periódicos em Portugal, tendo em conta o contexto europeu e nacional?

2) Qual o contributo dos primeiros jornais periódicos portugueses para a consolidação do jornalismo em Portugal?

Sabe-se que foi após a Restauração da Independência, em 1640, que o jornalismo periódico deu os primeiros passos em Portugal. A Restauração conduziu, efectivamente, a uma necessidade política de ocupação do espaço público simbólico que terá facilitado -ou mesmo detonado- o aparecimento dos primeiros periódicos portugueses: 
Gazeta (1641-1647) e o Mercúrio Português (1663-1667). A Guerra da Restauração, a Guerra Civil Inglesa e a Guerra dos Trinta Anos, por seu turno, terão incrementado a procura de notícias, o que, por sua vez, estimulou a receptividade pública dos jornais seiscentistas portugueses. Realce-se, no entanto, que q
uer a Gazeta (1641-1647) quer o Mercúrio Português (1663-1667), se bem que se possam caracterizar como jornais de ambição informativa, também serviram - embora menos do que é comum dizer-se - os interesses propagandísticos dos independentistas portugueses, na guerra pela independência que Portugal teve de travar contra Espanha. 
É de salientar, todavia, que os primeiros jornais periódicos portugueses talvez não se possam considerar as primeiras publicações portuguesas de índole jornalística, pois investigações anteriores (Sousa, 2006; Sousa et al., 2007; Sousa, 2008b) provaram que publicações ocasionais noticiosas, como as relações de naufrágios e as Relações de Manuel Severim de Faria (1626-1628), já possuíam características jornalísticas bem vincadas.

De qualquer modo, é importante salientar que desde o ponto de vista do jornalismo e das ciências da comunicação não se conhecem com pormenor os periódicos portugueses do século XVII. Na verdade, a Gazeta e o Mercúrio Português, com excepção das transcrições feitas por Dias (2005; 2010), têm sido abordados somente com base num enquadramento das Ciências Históricas, de forma superficial e não autónoma (Cunha, 1941; Tengarrinha, 1965, 1989, etc.). São periódicos sempre referidos nas histórias do jornalismo português, mas só ocasionalmente foram estudados com profundidade.

Há, assim, muitas questões que é incontornável colocar para se compreenderem os primeiros periódicos nacionais e a génese do jornalismo em Portugal.

Tendo sempre em consideração, numa perspectiva comparativista, o contexto histórico, cultural e jornalístico da Europa do século XVII, o presente projecto visa, assim, localizar, apresentar e analisar os periódicos portugueses desse século, para, em geral, apurar o seu contributo para a génese e desenvolvimento do jornalismo português, respondendo às seguintes questões: 

1) Em que bibliotecas públicas sobrevivem jornais seiscentistas portugueses e qual o estado das respectivas colecções? 

2) O que já foi escrito sobre eles? 

3) Como se apresentavam? 

4) Até que ponto a forma desses jornais afectava o seu conteúdo? 

5) Que tipo de textos continham? 

6) De que temas falavam e que conexões podem ser estabelecidas entre as notícias de ontem e as de hoje em termos de critérios de noticiabilidade e valores-notícia? 

7) De que lugares falavam? 

8) De onde provinham as notícias nacionais e as estrangeiras? 

9) Como é que falavam do mundo e das pessoas, quais os enquadramentos do mundo que ofereciam aos leitores? 

10) Eram laicos, religiosos, um misto das duas coisas ou mais uma do que outra? 

11) De onde provinham as informações e como é que os gazeteiros ofereciam pistas sobre esta proveniência aos leitores? 

12) Quais as fontes de informação citadas ou intuídas? 

13) Até que ponto os periódicos noticiosos portugueses seiscentistas actuavam em liberdade, isto é, qual o modelo normativo e funcional de jornalismo a que estavam sujeitos? 

14) Até que ponto eram dependentes do poder régio e até que ponto o propagandeavam? 

15) Quais as funções e papéis que cumpriam na sociedade portuguesa da época? 

16) Quem eram os gazeteiros que introduziram a prática do jornalismo noticioso periódico em Portugal, por que o fizeram e como o fizeram? 

17) Pode, pela leitura desses jornais, intuir-se qual seria o seu público-alvo e a forma como as notícias eram recebidas? 

18) Como era usada a Língua Portuguesa nesses periódicos e que pontes podem ser estabelecidas com a literatura da época? 

19) Quais as diferenças e semelhanças entre a retórica jornalística portuguesa seiscentista e a contemporânea, o "jornalês" de seiscentos e o "jornalês" da actualidade? 

20) Que comparação pode ser estabelecida entre os processos jornalísticos e os conteúdos noticiosos dos jornais seiscentistas portugueses e dos restantes jornais europeus (tendo em conta o contexto legal e político)? 

Para responderem a essas perguntas de investigação, e usando como modelo de pesquisa a metodologia já testada de Sousa et al. (2007), os pesquisadores recorreram à pesquisa em bibliotecas, à pesquisa bibliográfica e documental e à análise do discurso dos periódicos em causa, quantitativa (temas das notícias, fontes de informação, lugares referidos...) e qualitativa (enquadramentos...) e tentaram determinar, nesse processo, como os primeiros periódicos portugueses apresentaram e interpretaram o mundo do século XVII.

A interpretação dos dados obedeceu, principalmente, a um enfoque culturológico, sem excluir, pontualmente, a assumpção de uma perspectiva crítica.

Os pesquisadores também procuraram identificar e traçar curtas histórias de vida (perfis biográficos) dos gazeteiros portugueses seiscentistas.

Em suma, face às questões e objectivos equacionados, e que nortearam a investigação efectuada, o presente projecto consiste, sumariamente, numa apresentação e análise discursiva da Gazeta “da Restauração” e do Mercúrio Português, na perspectiva das Ciências da Comunicação, pelo que serão discutidas, em particular, as questões relacionadas com a forma, com a forma dos conteúdos e com os conteúdos dos primeiros periódicos portugueses, mais do que, por exemplo, o seu contributo para a historiografia portuguesa ou para a literatura.

Foi intenção dos pesquisadores evidenciar o contributo dos primeiros periódicos portugueses para a génese e desenvolvimento do jornalismo nacional, enfatizando, em especial, as suas características noticiosas, de periodicidade e de difusão pública de informação, consideradas pelos investigadores como sendo das mais pertinentes valências identificadoras do jornalismo.


O investigador responsável

Jorge Pedro Sousa


Contacto de email: jpsousa@ufp.edu.pt  ou   jorgepedrosousa@gmail.com



Livros resultantes do projecto



O livro A Génese do Jornalismo Lusófono, editado pelas Edições Universidade Fernando Pessoa, pode ser comprado diretamente à editora: http://edicoes.ufp.pt/



O livro A Gazeta "da Restauração",  editado pelo LabCom/Universidade da Beira Interior, está disponível para download gratuito emhttp://www.livroslabcom.ubi.pt/book/18



O livro Estudos sobre o "Mercúrio Português", editado pelo LabCom/Universidade da Beira Interior, está disponível para download gratuito em: http://www.livroslabcom.ubi.pt/book/93



  

O livro Jornalismo em Portugal na Alvorada da Modernidade (com edição em inglês com o título Print Journalism in Early Modern Portugal), editado pela Media XXI, pode ser comprado diretamente à editora: http://mediaxxi.com/

  

O livro Contar o Mundo no Século XVII (com edição em inglês com o título Telling the World in the 17th Century), editado pela Media XXI, pode ser comprado diretamente à editora: http://mediaxxi.com/




Visite o outro site da mesma equipa de investigação:

Teorização do jornalismo em Portugal: Das origens a Abril de 1974: http://teoriadojornalismo.ufp.edu.pt




Visite o site do projecto-irmão
"Jornalismo Colonial de Expressão Portuguesa": www.pucrs.br/famecos/nupecc



Pode aceder a cópias públicas da Gazeta "da Restauração" e do Mercúrio Português na Biblioteca Nacional Digital:




Mercúrio Português: http://purl.pt 12044





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O projecto de A Génese do Jornalismo. Jornais Periódicos do Século XVII em Portugal e na Europa é realizado com o apoio financeiro da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, através de fundos estruturais da União Europeia, designadamente do FEDER, e de fundos nacionais do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.